sábado, 5 de novembro de 2011

Livros: o pirata, o e-book e o livro aplicativo

As pessoas hoje leem de modo diferente e pensam de modo diferente. É chegada a hora de os escritores escreverem de modo diferente.

O suporte eletrônico é, atualmente, muito utilizado no registro de conteúdos úteis. Registrar informação em meio eletrônico significa armazená-la numa sequência binária – uma imensa sucessão de zeros (0) e uns (1), quer dizer, de sensibilizações elétricas nos filamentos do chip (os zeros) e de ausências de sensibilização (os uns).
Esse modelo digital amplia consideravelmente o conhecimento. Aliás, a relação é direta: quanto mais aperfeiçoado o suporte, maior o universo de pessoas alcançadas pela informação. O registro em pedra, argila ou papiro foi, certamente, lido por muito menos gente que a idêntica informação impressa em livro-papel e, hoje, o meio eletrônico permite ainda maior propagação de ideias.
Quando, há uns vinte anos, o computador entrou em nossas casas e, em seguida, apareceu a internet, falaram no surgimento de uma nova dimensão, a virtual. A ideia foi extensamente explorada. Levando-a ao extremo, há quem se vista de avatar, para experimentar a “segunda vida”.
Mas, como propôs Select, de Paula Alzugaray, a era virtual já terminou – não retornamos ao analógico, mas, como o digital se incorporou de tal modo ao nosso cotidiano, soa anacrônico continuarmos falando numa dimensão paralela.
Nesta era pós-virtual, o livro digital se dissemina sem despertar maiores curiosidades ou estranhezas. A rigor, “livro digital” pode ser definido por três perfis diferentes: o digital pirata, o e-book e o livro-aplicativo.
O digital pirata é a digitalização do livro-papel por pessoa não autorizada, para venda ou disponibilização por download na internet. É prática lesiva aos escritores e editores, pois evidentemente não recebem nenhuma remuneração.
A defesa dos direitos intelectuais é impraticável: os custos para localizar e processar o pirata são consideráveis e irrecuperáveis e nada impede que, identificado e processado, o pirata facilmente reinicie, seguidas vezes, a pirataria.
O e-book é outra coisa, completamente diferente do pirata, mas também chamado de livro digital. A diferença não está somente no respeito aos direitos intelectuais. Enquanto o digital pirata é uma simples transposição do livro-papel para o meio eletrônico, num arquivo sem graça, o e-book recebe roupagem própria e isso o embeleza e o valoriza.
Há duas gerações de e-book. Na primeira, o texto impresso passa a ser veiculado por meio eletrônico. O produto permite ao leitor algumas facilidades inexistentes no livro-papel, como a reconfiguração das fontes e a utilidade de trazer, à mão, muito maior quantidade de obras. Mas ainda é o mesmo texto, o mesmo livro, que tanto pode ser lido em papel como na tela do computador.
Na segunda geração de e-books, agregam-se ao texto, filmes e trilha sonora, como forma de estimular a leitura ou torná-la uma experiência diferente. É um livro para ser assistido (ou um filme para ser lido?). Parece mais uma nova espécie de entretenimento, para as pessoas que precisam, diante do escrito, de estímulos extras para se divertirem.
O terceiro modelo em suporte eletrônico, também chamado de livro digital, é o livro-aplicativo. Diferente do digital pirata e do e-book, o seu texto não foi originariamente concebido para veicular-se em papel e, depois, transposto à mídia eletrônica. O livro-aplicativo é concebido e escrito para ser lido apenas neste suporte. Desde o início, em razão dos hiperlinks na estruturação do conteúdo, ele não pode ser lido em papel.

Novas experiências de leitura

Escrevi um livro-aplicativo. É uma obra didática, na área jurídica, que tem por base meu livro-papel de maior vendagem. Quando levei a obra à editora, tive dificuldade, no início, para que entendessem o novo produto.
O primeiro protótipo desenvolvido contava com ícone para impressão e reproduzia, na tela do computador, a imagem e a sonoridade do movimento de páginas virando. Pensaram que era mais um e-book. Insisti no conceito: eu tinha escrito um livro que não podia ser lido em papel; nada, nele, deveria evocar a experiência da leitura neste suporte.
O livro aplicativo não serve apenas para os textos didáticos. Imagino que grandes escritores poderiam propor, por hiperlinks, alternativas de leitura de um Memórias Póstumas de Brás Cubas, por exemplo. A curiosidade do leitor criando, enquanto lê, novas narrativas da trama de Machado de Assis – seria algo semelhante ao que, em papel, já fizeram Antonio Callado, Lygia Fagundes Telles, Osman Lins e outros com o Missa do Galo, também da obra machadiana.
O conceito básico do livro-aplicativo parte da constatação: a internet mudou nosso modo de leitura e apreensão de informações. No mundo pós-virtual, as contextualizações são mais evidentes e amplas, e deparamo-nos sempre com sugestões de remissões rápidas a conteúdos de apoio ou aprofundamento. São possibilidades completamente exploráveis apenas pelo meio eletrônico, que moldam (remodelam?) nosso pensamento.
As pessoas hoje leem de modo diferente – na verdade, pensam de modo diferente. É chegada a hora de os escritores escreverem de modo diferente.

Fonte: Webinsider

Quem controla o tempo tem mais tempo livre

Imprescindível desenvolver consciência sobre a necessidade de planejar bem as atividades, organizar a agenda e cultivar a disciplina. Seguem sete sugestões.

“Preciso de mais tempo” é um dos comentários mais comuns nas empresas de tecnologia hoje em dia. O tempo, em sua forma absoluta, passa da mesma forma, nem mais devagar nem mais rapidamente; nós é que precisamos encontrar meios de aproveitá-lo ao máximo, vivendo todos os instantes intensamente.
Como integrantes de uma sociedade corporativa, repleta de profissionais em busca de crescimento, reconhecimento e sucesso, eis um ponto de extrema relevância: a organização do nosso tempo.
Como os profissionais de tecnologia são multitarefas, realizando atividades tão díspares entre si que se tem a impressão de haver vários profissionais em um só, é imprescindível desenvolver consciência sobre a necessidade de planejar bem nossas atividades, de organizar a agenda e, acima de tudo, de cultivar a disciplina. Seguem, então, sete sugestões para que o processo de organização do tempo seja bem-sucedido:

Organize todas as tarefas do dia logo cedo

Escolha o meio mais adequado ao seu perfil (papel, notebook, tablet, celular) para elencar todas as tarefas e atividades que devem ser realizadas ao longo do dia. Inclusive atividades particulares, já que também são importantes.

Enumere as atividades por ordem de importância

Priorize as atividades mais críticas, aquelas mais importantes. As de rápida solução, ataque em primeiro lugar. As que são mais demoradas, mas igualmente críticas, vêm em seguida – é o caso de pessoas que aguardam a finalização de suas atividades para darem início às delas. Assim, você já movimenta a ação de outras pessoas, mesmo que ainda tenha outras atividades pendentes.

Aprenda a executar mais de uma atividade ao mesmo tempo

A simultaneidade de tarefas é o ponto mais crítico e estressante. Mas a questão é simples: em algum momento, a atividade que você iniciou deve contar com a interação de outro agente, seja lá quem for. Enquanto você aguarda tal interação, dê início à próxima atividade priorizada. Dessa forma, você conseguirá ganhar tempo na execução de tudo o que tem de cumprir.
Importante: o segredo para a adoção do processo de execução simultânea de atividade é não se esquecer daquela que ficou pendente. Portanto, acostume-se a reavaliar seu plano de atividades e recomece o que ficou pendente de onde parou.

Seja disciplinado com sua agenda

Mantenha os compromissos assumidos, sem ceder facilmente à alteração de sua agenda. Trata-se de um ponto é delicado, já que, muitas vezes, alguns compromissos têm mais importância do que outros. Faça o seguinte: antes de ceder tranquilamente à solicitação de alteração de sua agenda, tentar negociar o novo compromisso ou tarefa para um momento em que você tenha tempo disponível, ainda não preenchido. Assim, sua organização não será afetada e, obviamente, você continuará no controle do seu tempo. Contudo, se essa renegociação for inviável, reveja todas as tarefas e compromissos afetados, refazendo toda a agenda.

Mantenha sua agenda atualizada e, de preferência, compartilhada

A atualização é fundamental, caso contrário não terá finalidade. Quanto ao compartilhamento, para os seus pares e seus gestores, trata-se de uma maneira de poder informá-los sobre sua carga de atividades para que percebam a impossibilidade de fazerem novas solicitações nos períodos já tomados por outros compromissos.

Aprenda a dizer “não” sem temor

Esse é outro ponto interessante: assumir novas atividades, mesmo quando sua agenda já está totalmente comprometida, por receio do que pensarão seus gestores/pares sobre o seu comprometimento com a empresa, com o projeto ou com a equipe, é um equívoco.
Tão grave quanto dizer “não” é não entregar o que foi prometido na data combinada. Com certeza, seu gestor gostaria muito de saber da situação antecipadamente, tendo tempo hábil para direcionar as novas tarefas a outros profissionais.

Saiba lidar com imprevistos

Imprevisível é tudo aquilo que não se pode prever, saber de antemão. Isso muitas vezes acaba por “desmontar” todo o planejamento realizado, desorganizando suas prioridades e forçando a uma nova ordenação de tarefas.
Mesmo a contragosto, temos de saber lidar com esse tipo de situação. Para minimizar os efeitos do imprevisto, vale a pena recorrer à máxima popular de que “não devemos deixar para amanhã o que pode ser feito hoje”. Isso também é válido para atividades que podem ser antecipadas. Assim você sentirá o gostinho de ter mais tempo livre.
Mesmo adotando essas dicas sobre organização do tempo, é certo que em algumas ocasiões você não conseguirá cumprir as tarefas dentro do seu horário de trabalho normal. Para isso, não existe outra solução: você terá que dedicar algum tempo extra, depois do expediente ou no final da semana, para que a sua agenda, já formatada e organizada, não seja prejudicada.
Só atente para que isso não se torne uma constante em sua vida. Os workaholics começam assim. Portanto, quanto mais controle sobre o seu tempo tiver, provavelmente terá mais tempo para aproveitá-lo da maneira que quiser.

Fonte: Webinsider

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Pierre Lévy e o novo papel do conhecimento

Estive semana passada na Petrobras para a palestra de Pierre Lévy, aqui no Rio. Lévy tem se dedicado mais recentemente a desenvolver uma nova linguagem, um projeto prático que visa facilitar a interpretação dos códigos da rede.
Quer humanizar o que ainda é não “humanizável” na rede digital, tal como os resultados do Google: ao você mexer dentro dele, poderá manipular os algoritmos.
O seu último projeto prático não se massificou, como foi o caso do software da árvore do conhecimento. Tenho dúvida se este é o melhor caminho dele (mais prático, menos teórico), mas quem sabe agora ele acerta?
Porém, com certeza, o forte de Lévy é a sua rara capacidade associativa / sintética para criar um cenário baseado na história humana, mais factível das mudanças vividas com a chegada da rede digital (internet) e escrever isso, como sugere Einstein, de tal forma que qualquer vovó entende.
Levy está uns 20 anos na frente, assim como esteve em 99, quando avaliou a partir da história que estávamos enfrentando com a internet a chegada de nova era cognitiva, no seu livro Ciberculturarecomendo como porta de entrada para quem não conhece a sua obra.
Na palestra da Petrobras, como vemos no quadro acima, ele não trouxe algo totalmente novo, pois vem aprofundando a base a qual o fez um dos maiores pensadores atuais e um, senão o principal, sobre internet.
Em resumo ele disse:
  • É preciso olhar a história para compreender a internet, se não nos perdemos
  • A internet permitirá mudanças no planeta com repercussões em vários aspectos da nossa vida.
Percebi: ele deu uma arrumada melhor na sua divisão histórica, antes falava nas fases – tempos de espírito – oral, da escrita e do digital.
Hoje, inclui a relevância do alfabeto e da mídia de massa como passagens proeminentes, etapas da evolução da mídia, as quais chamou de midiosfera. E começa a fazer a relação entre estas mudanças na política, na economia (até onde ele mostrou por lá).
Mas foi só no sábado, pedalando, quando a poeira do encontro assentava, que me veio claramente a importância do legado de Lévy: ele tem influenciado um amplo leque de pesquisadores pelo país afora, dentre os quais me incluo.
Lévy propõe, na verdade, ver o mapa mundi de cabeça para baixo.
Explico.
Alguns pensadores ao longo da histórica tiveram esse mérito. Pegaram um ponto adormecido da maneira que olhávamos o mundo e repensaram, recolocaram ou trouxeram luz. Deram-nos a possibilidade de ver a realidade sob outro ponto de vista, a partir de problemas que não podiam mais ser pensados da mesma maneira, pois geravam crises de percepção. E essas, por consequência, desembocavam em crises práticas.
(Basta ver o despreparo das organizações para lidar com a rede digital.)
Entre outros:
  • Darwin, Marx – Evolução, Economia, Ideologia – Século XIX;
  • Freud, McLuhan, Einstein – Inconsciente, Comunicação, Relatividade – Século XX;
  • Lévy – Conhecimento, Mídia, Informação – Século XXI.
A grande bandeira de Lévy é muito ousada e, portanto, tão difícil de ser digerida pela sociedade e, principalmente, pelo dito mercado.
Ele nos propõe a repensar completamente o papel do conhecimento / informação / comunicação na sociedade, pois víamos esses fatores como algo secundário influenciado pela política e economia, por exemplo.
Eram condicionados e não condicionantes.
A chegada da internet nos colocou uma realidade na qual este tipo de visão não é tão eficaz, pois a sociedade começa a fazer macro-mudanças inexplicáveis por causa da chegada da rede.
Novas empresas, novos movimentos políticos, novas formas de se vender, de comprar, de se informar, se comunicar, de se relacionar. E não é nem a economia, nem a política e nem o social que estão provocando tais fatos, mas a macro-mudança no ambiente da mídia e isso envolve o conhecimento, a informação e a comunicação.

Como isso é possível dentro das teorias atuais?

Ou seja, a rede digital criou um desafio teórico encarado por Lévy. E gerou, a partir de suas teorias, uma crise paradigmática, de concepção, que nos faz repensar a base de como vemos a sociedade e nós mesmos.
Lévy sugere inverter o mapa conceitual vigente, demonstrando, por meio de uma lógica histórica, que, ao contrário de nossa vã filosofia, na qual o conhecimento / informação / comunicação, encapsulados em uma nova mídia, criam a estrada pela qual a economia, a política e a sociedade irão trafegar de forma radicalmente diferente no futuro.
E não, como achávamos antes, o contrário.
Ou seja, se não entendermos as mudanças neste campo não conseguiremos entender a dos outros. Isso é uma ruptura radical na nossa maneira de enxergar a realidade! E o principal desafio teórico do século XXI. É o mundo teoricamente de cabeça para baixo.
A nova rede digital influencia a sociedade, pois essa passa a influenciar a rede, mas sem a rede, a sociedade não poderia se influenciar e ser influenciada.
Ele lembra: há momentos na história, tal como a chegada da fala, da escrita, do alfabeto, da mídia de massa, da internet, que uma grande mudança serve como marco e permite outras ocorrerem em larga escala.
Não é causa, mas uma forte consequência. Lévy deixa isso claro: não é a mídia a criadora da mudança, mas sem ela as mudanças seguintes não serão e não foram possíveis.
A nova mídia é o berço no qual o bebê se deita.
Ponto.
Outros autores, principalmente historiadores, falaram algo parecido, mas não com a clareza, simplicidade e o alcance que os pensamentos de Lévy atingiram na sociedade entre uma parcela importante de pesquisadores e pensadores, principalmente os menos preconceituosos e menos dogmáticos.
Leia abaixo com cuidado essa comparação entre economia x mídia para reforçar a ideia do que influencia o que.
Lévy apresenta: a chegada de novas mídias afeta e permite a economia das caçadas, da agricultura, do comércio industrial e agora da economia do conhecimento.
Assim, podemos dizer: o erro teórico principal atual é ignorar o papel da chegada da rede digital como um fator relevante de análise para o futuro!
Por exemplo, quando se analisa os recentes movimentos dos países árabes ou europeus (Espanha ou Inglaterra), lembra-se do papel da rede, mas não se imagina que estamos procurando construir uma nova forma de fazer política, viável agora com o novo ambiente da mídia.
Só uma visão Levyniana permite ver com mais amplidão estes fenômenos, como primeiros passos de uma nova forma de fazer política e não movimentos isolados do movimento histórico do avançar de uma nova mídia “desintermediadora”.
Ou quando se fala do futuro da economia (capitalismo cognitivo e/ou digital) e da política (2.0) não se enxerga, quase nunca, o papel que a nova rede digital terá de forma contundente, marcante nesse processo, fundando uma nova civilização.
Onde você lê isso com destaque nas revistas de economia? Ignoram as teorias de Lévy e de outros que caminham na sua trilha, tal como Castells no Brasil e no mundo.
Esse é o principal papel de Lévy para as teorias sobre a sociedade. Olhávamos o mundo da economia, da política e da sociedade como influenciadores do conhecimento, da informação e da comunicação e não o contrário.
E é esse mapa_teórico_mundi invertido que estamos vivendo hoje e é tão difícil de aceitar e ver de forma distinta.
Lévy apresenta um atalho mais eficaz para compreender o mundo, mas a sociedade não quer ver, ignora, pois estamos, como sempre estaremos, no piloto automático, avessos às novas ideias radicais, como sofreram os pensadores associativos/sintéticos do passado como Marx, Freud, Darwin, Einstein, entre outros.
Nessa direção vale a leitura do texto “A nova psicologia da liderança estratégica“, da Harvard Business Review, edição brasileira, de julho, de Giovanni Gavetti, parte do texto pode ser lido aqui.
Gavetti nos diz: ao se pensar o futuro, as pessoas (principalmente os estrategistas) tendem a vê-lo com os olhos do passado e, no máximo, do presente imediato. Perde-se muito tempo em análises externas (fatos) e não internas, ou “nossos processos mentais” (como pensamos).
Ou a maneira equivocada, viciada, domesticada de vermos o mundo. Que os estrategistas (responsáveis pelos cenários do porvir) tendem a chegar as mesmas conclusões, pois pensam de uma forma muito esquemática e pouco criativa, não associam, apenas somam as informações.
Que as grandes oportunidades disponíveis (e as mais lucrativas) não serão atingidas se continuarmos pensando de forma usual.
Que temos a tendência de nos deixar levar pelos pensamentos cognitivamente próximos cognitivamente distantes. daquilo que as empresas fazem e rejeitar ideias
Para isso, segundo ele, é preciso praticar um tipo de cognição associativa externa ao senso comum.
(Vejo hoje no mercado justamente essa GRANDE dificuldade ainda mais por que somos filhos, netos e bisnetos da escola não-associativa muito mais baseada na memória do que na criatividade).
Estamos tão viciados e tão aflitos para resolver os problemas do hoje (fala-se em valor e lucro imediato) como se todos estivessem vendo o mundo de forma prática, mas no fundo da mesma maneira.
Aqui vale chamar o Cortella: “O mundo ocidental capitalista especializou-se nos “comos” e deixou de lado os “por quês”” – (do Livro “Qual é a tua obra?” que considerei um dos melhores de 2011.)
Queremos resolver o como e não perguntamos os por quês das coisas, onde estão as grandes mudanças geradoras das grandes oportunidades! Nos meus cursos, muitos dos participantes querem tudo mastigado, pois não querem pensar cognitivamente distantes. Acham pouco prático algo extremamente útil.
Querem resolver demandas e não criar demandas, a partir de um cenário construído por ideias distantes como estas do Lévy e afins. Mas, como lembra Gavetti precisamos olhar as coisas de forma diferente se quisermos pensar a estratégia de forma mais eficaz.
E é justamente isso que Lévy traz para o mundo.
Essa visão cognitiva distante de Lévy, que bate de frente com a visão do mundo apressado em ganhar dinheiro para ontem, mas cada vez mais cego para as grandes oportunidades que pensadores associativos/sintéticos projetam de forma eficaz para o futuro.
Justamente onde estão as grandes oportunidades de gerar valor. Ou seja, quer se gerar valor, desde que não precise mudar quase nada!
É o valor da mesmice!
Esse é o dilema (e mesmo o drama) dele e da nossa civilização, a primeira da nova era digital.
Nossas cabeças cognitivamente viciadas não conseguem (por enquanto) compreender o que, de fato, vivemos e o mega-desafio adiante.
Lévy está aí para ajudar, mas quem quer, de fato, ouvi-lo e praticar?
Fica tudo uma grande curiosidade, mas quando acaba todo mundo volta para casa e para a sua mesa de trabalho… Ouve-se: ok, agora vamos voltar para “a realidade”

Fonte: Webinsider

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O plano de carreira do profissional digital é espiral

O profissional luta por um tempo curto para gerar resultados positivos na web e consegue. Se a empresa não reconhece isso na mesma velocidade, ele sai. Falta diálogo.

No mercado de publicidade digital temos acompanhado duas grandes características: a falta de profissionais qualificados e a velocidade com que os profissionais que existem trocam de empresas.

A primeira é mais fácil de entender – a falta de profissionais qualificados para lidar com as novas técnicas e mídias que a internet disponibiliza. Essa dificuldade acontece exatamente por conta da alta velocidade com que as mudanças acontecem nesse “novo mundo”. Faltam instituições de ensino já atualizadas com as novas teorias, professores em condições de preparar esses profissionais e empresas que consigam de fato estudar e utilizar de forma adequada esses novos formatos para assim estimularem a qualificação de suas próprias equipes.

Uma pesquisa do instituto Sensus, encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e divulgada este mês (16/08), indica que a maioria dos brasileiros – 55,1% – ainda não tem acesso à internet. Todo esse contexto nos mostra que a dificuldade tende a se manter ainda por algum tempo, pois as mudanças necessárias ainda precisam ser feitas em escala nacional em diversos níveis.

O segundo ponto é a velocidade com que os profissionais já inseridos nesse novo mercado mudam de emprego. É nítido que uma das causas dessas mudanças está diretamente relacionada ao contexto anterior: com poucos profissionais no mercado, as empresas buscam seus profissionais em outras empresas, gerando uma espécie de leilão nos valores e propostas salariais, onde quem paga mais, leva.

Mas eu gostaria de apontar outro aspecto que tem como ponto central a percepção do próprio profissional web sobre a sua carreira.

A velocidade com que uma idea na web pode gerar resultados para uma marca/empresa é espantoso. Em questão de dias uma campanha ou uma frase publicada podem aumentar o valor de uma marca ou comprometê-la totalmente. O profissional digital competente sabe disso e está acostumado com essa velocidade, pois já sabe utilizar essa característica como ferramenta de trabalho. Mas ele espera que sua carreira consiga crescer com uma velocidade similar com a que ele traz resultados.

Se a web consegue trazer resultado rápido, eis um grande desafio para os diretores e gestores de recursos humanos: como manter essa profissional satisfeito o suficiente para continuar lutando por melhores resultados? Não é uma pergunta fácil de responder, pois uma folha de pagamento dando saltos a cada dois meses pode quebrar uma empresa.

Reunidos esses dois aspectos surge uma nova realidade nos planos de carreira, a qual chamei de “plano de carreira em espiral”. O profissional luta por um tempo relativamente curto para gerar resultados positivos na web e, se é competente, consegue. Se a empresa não reconhece isso na mesma velocidade, ele busca facilmente uma lista de outras empresas com vagas abertas, pois há muitas vagas abertas.

Quando digo reconhecimento, digo claramente valor de salário + benefícios para o profissional, ou seja, coisas que realmente afetam e melhoram a sua vida pessoal. Conversando com a outra empresa, por conta do déficit de profissionais e pelos resutados alcançados na empresa anterior, geralmente ele sai para um cargo melhor e salário maior, quando começa novamente a lutar por resultados e todo o ciclo recomeça.

Aparentemente são ciclos curtos de 6 a 24 meses que fazem com que o profissional, em dez anos, tenha passado por mais de cinco empresas sem que isso seja visto como um ponto negativo em seu currículo.

Obviamente que a análise de um currículo com “quilometragem alta” ser positiva, depende, entre outros aspectos, dos motivos pela troca de emprego tão frequente. À repetição desses ciclos subindo para o objetivo de alcançar uma estabilidade na carreira, que seria uma posição de destaque no mercado, chamei da “Espiral”.

Vemos então uma troca clara na gestão da carreira do ponto de vista do empregador e do funcionário. As empresas que insistirem em trabalhar com o modelos júnior (menos de 3 anos), pleno (3 a 5 anos) e sênior (+ de 7 anos) na web podem ter problemas na gestão desse profissional de alto desempenho, pois é um crescimento lento demais para tudo que ele pode produzir na web nesse tempo.

Por outro lado, este novo profissional precisa ter condições de dialogar com a empresa em que trabalha de forma clara expondo suas expectativas sobre sua carreira, auxiliando assim o empregador a mantê-lo, dando feedbacks constantes e dividindo suas insatisfações para que não pareça que ele está se aproveitando levianamente dessa nova realidade que se apresenta.

Fonte: Webinsider

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O profissional da informação diante da colaboração

Ferramentas de colaboração dão às unidades de informação recursos poderosos e gratuitos, mas que necessitam ser compreendidos, planejados e geridos.

O homem é um ser social. Ponto! Isso significa que depende 100% da comunicação, da interação, com outros seres de sua espécie, para garantir sua sobrevivência e sanidade mental. Do primeiro choro, ao nascer, até o tuitar, o ser humano está se comunicando, interagindo e… produzindo documentos: sonoros, textuais, audiovisuais, hipermídia!

Toda comunicação estabelecida entre nós é passível de ser documentada e compartilhada. Produzimos dados. Dados analisados geram informação, que gera documentos, que geram novos conhecimentos, que geram novos dados. Este ciclo informacional literalmente move o mundo habitado por seres humanos, que o retro-alimentam, pois dele dependem.

Produzimos, e armazenamos, em unidades de informação, documentos nos mais variados formatos/gêneros [texto, áudio, vídeo...] e suportes [papel/analógico, ótico, digital, on-line...].

Estes documentos são tratados pelos profissionais da informação para atenderem às infinitas necessidades informacionais de todos os setores de nossa vida.

A maneira como o homem registra, escreve e documenta a informação de sua época, bem como o(s) suporte(s) e formato(s) que utiliza revela(m) a época. Historicamente passamos da pictografia [25 mil anos a.C] para a escrita [4 mil a.C], da escrita para a imprensa/Gutenberg [séc. XV] e da imprensa para a internet [séc. XX].

A história também nos mostra que a informação [conteúdo] evoluiu no mesmo ritmo da comunicação [veículo, meio]. As TICs [tecnologias de informação e comunicação] impactaram o sistema informacional de tal forma, nestas duas últimas décadas, pela quantidade, formato, suporte e velocidade, que geraram uma ruptura nesse sistema. Essa ruptura tem sido chamada de 2.0.

Ocorre que, em tempos de web 2.0, o sistema informacional reverteu sua posição de verticalizado para horizontalizado. A horizontalização da informação, ao ser produzida e compartilhada/distribuída por qualquer um de nós é a questão central a ser colocada na mesa de discussão, especialmente pelos profissionais da informação.

A formação profissional tradicional está focada no sistema informacional vertical, ou seja, os produtores são poucos e detém o poder da veiculação da informação.

As regras do jogo mudam no sistema informacional horizontalizado. Os produtores são muitos, que distribuem para muitos, sem intermediários e sem custo, na maioria das vezes. A informação está sendo produzida e distribuída de forma desterritorializada e atemporal. Ela é híbrida, líquida, ubíqua, customizável, interoperável e hipertextual. Os canais de distribuição são móveis, sem fio e táteis.

Como o profissional da informação deverá encarar esse novo paradigma? Onde armazenar e como recuperar a informação nesse ambiente? Quando e quais ferramentas 2.0 deverá utilizar, e para quais serviços? Como ser um profissional da informação 2.0? Em quais situações está sendo exigido do profissional um comportamento 2.0? Por outro lado, quais barreiras institucionais poderão existir? Como deverão ser enfrentadas? Quantos de nós estamos realmente preparados para vivermos em um ambiente informacional horizontalizado? A tecnologia está pronta mas … a quantas anda a interoperabilidade humana necessária para que esse momento de ruptura 2.0, que estamos vivenciando atualmente, seja resolvido?

É senso comum a necessidade da educação continuada para profissionais da informação para que entendam e possam atender às demandas geradas por este momento de ruptura 2.0. Os modelos comunicacionais e de gestão da informação verticalizada já não são mais adequados. O cidadão comum registra e compartilha notícias antes de qualquer rede de TV, a partir de qualquer lugar do planeta. Há uma mudança urgente a ser feita.

Mas onde? Como? Qual a melhor direção a tomar para meu tipo de negócio, minha empresa, minha instituição? Novos produtos e serviços são possíveis, mas quais deles são factíveis a curto, médio e longo prazos?

A capacitação dos usuários finais dos novos produtos e serviços também faz parte desse cenário construído pela ruptura 2.0. Especialmente no nosso país, que carece de alfabetização digital. Estamos à procura de novos caminhos 2.0. E ao caminhante na nuvem só resta uma opção: caminhar!

Fonte: Webinsider